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Diagnóstico de dengue em criança é mais difícil

Por mais que todo ano se fala da dengue e as campanhas alertem para o risco de picadas pelo mosquito Aedes aegypti, quando a pessoa adoece, a dificuldade no diagnóstico ainda é grande. E quando o paciente é uma criança, fica mais complicado.

É mais difícil diagnosticar dengue em crianças porque elas não têm clareza de alguns sintomas, como dor muscular, por exemplo, e porque muitos sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como gripe ou virose.

Dois casos recentes, com as mortes de duas crianças, chamaram a atenção no interior de São Paulo. Em São Simão, uma menina de oito anos passou mal e foi atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A criança foi dispensada após ter um diagnóstico de gripe. Os remédios receitados não fizeram efeito e ela piorou.

Com muita dor abdominal, a menina foi levada para Ribeirão Preto. Passou por outro médico na UPA e foi liberada em seguida. Levada novamente para UPA, ela teve uma parada cardíaca. Chegou a ser removida para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mas não resistiu.

A secretaria de Saúde da cidade diz que deu todo o atendimento necessário, mas os pais reclamam do atendimento que ela recebeu.

Outro caso, na mesma cidade, foi de um menino de 10 anos. Com febre e dores no corpo, ele foi atendido várias vezes em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) da cidade. Era sempre medicado e liberado, mas voltava a passar mal em casa.

De acordo com o pai, o menino ainda foi levado ao Hospital das Clínicas, mas teve uma parada cardíaca e também não resistiu. A secretaria de Saúde de Ribeirão Preto alegou que, a princípio, ele não tinha os sintomas de dengue e que o atendimento seguiu o recomendado pelos órgãos de saúde até que a doença fosse diagnosticada.

“Um dos grandes desafios em relação a dengue é em relação a manifestação da doença. São muito variadas, desde forma leve, que passa despercebida pelos pais, até quadros graves. Não existe uma manifestação exclusiva da dengue, os sintomas se confundem”, alerta o pediatra e infectologista Marco Aurélio Safadi.

Os sintomas mais frequentes são: febre alta e repentina, dor atrás dos olhos e dor muscular. “A dor de cabeça da dengue tem uma particularidade. Quem está com a dengue, tem muita dor atrás dos olhos”.

Veja outros sinais de alerta:
Dor de cabeça
Falta de apetite
Vômito e diarreia
Manchas vermelhas na pele
Sangramento (nariz e gengiva)

Muitas dessas manifestações fazem parte da gripe, por exemplo. Por isso, acaba confundindo no diagnóstico. “Essas são as formas que compõem a dengue clássica, mas a pessoa pode ter variadas apresentações e nem sempre todas elas aparecerão”, completa o infectologista.

A dengue é uma doença sazonal. Os casos se concentram mais entre janeiro e abril. Por isso, apesar do diagnóstico difícil, Safadi lembra que a população deve ficar alerta. Alguns sintomas podem indicar uma complicação da doença: nível de consciência alterado, vômitos persistentes, dor abdominal muito forte, sonolência ou irritabilidade, falta de ar, hemorragias.

“Uma vez que apareça qualquer um desses sinais, a pessoa deve ir imediatamente a um pronto-socorro. Lá, o médico irá orientar a internação, a admissão hospitalar”, diz Safadi.

 

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